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Muito se discute sobre os prós e contras da implantação do pacu-pratinha nas represas de Ribeirão das Lajes e de Santana, situadas no município de Piraí, na região Sul do Estado do Rio de Janeiro. Alguns acreditam que a espécie preda as ovas de Tucunaré e que estaria, dessa forma, contribuindo para a redução da população dos Tucunarés amarelos. Por outro lado, pesquisas desenvolvidas durante os últimos anos nas duas represas, apontam o pacu-prata mais como um grande colaborador do que propriamente um vilão. Em centenas de análises do conteúdo estomacal da espécie foi provado que o pratinha (ou cedezinho) se alimenta basicamente de plantas aquáticas e insetos. Mesmo no período reprodutivo do Tucunaré não foi encontrada sequer uma ova no cardápio desses pequenos valentes. Por isso, pesquisadores apontam a espécie como excelente peixe forrageiro para espécies predadoras. Não que seja a ideal, mas quando alevinos e jovens, os pratinha servem de alimento para Tucunarés, Traíras, Jacundás e outros carnívoros de plantão. |
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E a população de pratinhas tem crescido muito, principalmente na Represa de Santana, onde encontram alimento farto, tanto de algas e outras plantas aquáticas como de insetos. Não é raro encontrar cardumes com centenas de exemplares próximo às margens e quanto se encontra um cardume desses, com muito silêncio a pescaria com material leve está garantida. |
Depois de conversar com alguns dos pesquisadores que trabalharam nas represas, confesso que fiquei feliz ao saber do resultado dos estudos, pois era um dos muitos que acreditava que o Pacu-prata estava atrapalhando a reprodução dos Tucunarés. Daí a fazer uma pescaria exclusiva do bichinho levou um tempo. Nesta segunda-feira chuvosa aproveitei a tarde silenciosa em Santana para colocar minha varinha de bambu que me acompanha há sete anos para trabalhar. |
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Dei um pouco de sorte porque, com muita movimentação, os pratinhas tendem a procurar o meio dos lagos. A chuva, nesse ponto, ajudou bastante, já que poucos arriscam uma pescaria dessas em plena segunda-feira, ainda mais debaixo de uma chuva fina. |
| Antes de seguir para a represa passei na padaria para apanhar a isca: massa de pão crua. Chegando em Santana, escolhi um ponto bem afastado da estrada e com bastante vegetação. Cevei com algumas bolinhas da massa de pão de esperei alguns minutos até que o cardume se aproximasse. Com a varinha (tem 1,5 metro) em punho, linha 0,18 mm, bóia micro e anzol mosquito comecei, de fato, a pescar. |
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Como sempre ressabiados, os peixinhos sumiram no meio das algas assim que a isca caiu na água. Mas a fome bateu e eles voltaram. Uma batida atrás da outra. Primeiro os menores e mais rápidos foram entrando. Hora fisgava, hora escapava. Fiquei nessa balada por quase duas horas até que os maiores começaram a encostar. Na primeira batida de um pratinha maior a varinha envergou e a linha fina cantou. É bom demais pescar desse jeito! Mesmo com muita planta para enroscar a linha, o pacu-prata briga limpo, subindo para a superfície e tentando explorar seu formato arredondado fica de lado para causar um arrasto maior. É esperto esse bichinho! |
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Dos grandes mesmo, de quase um palmo, foram poucos dessa vez. Entraram dois maiores e logo os pequenos voltaram com fome. Porém, em outras pescarias já capturei alguns bem grandes, medindo entre 15 e 20 centímetros. Além da varinha de bambu ou de fibra, dá para usar um molinete micro e uma varinha bem leve para pescar esta espécie. Se o pescador preferir, o uso de um chicote com dois ou mais anzóis torna a pescaria ainda mais produtiva. |
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Ádamo Andrade Gonçalves é jornalista e guia de pesca esportiva adamogoncalves@uol.com.br Como chegar Hospedagem Contato Opções |
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