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Amazônia... O sonho realizado

Desde a minha infância, das pescarias de bagres, lambaris, carás, etc., nos ribeirões de minha cidade natal (Limeira-SP) ou mesmo em rios das cidades vizinhas (Piracicaba, Araras, dentre outras), que o meu sonho sempre foi pescar na região Amazônica, naqueles rios intactos e com todos os seus peixes e natureza intocável.
Foi que, em Abril de 2005, o sonho começou a virar realidade, nossa turma de pescadores composta por mim (Maicon Bianchi), Celso Araújo, Pedro Grotta, Cássio Baptistella e Eduardo Morgado, todos da cidade de Limeira, fizemos algumas reuniões e marcamos a pescaria para o Rio Negro – Barcelos. Decidimos contratar um Barco Hotel, mas precisávamos de mais pessoas para formar um grupo, pois o barco tem capacidade para 14 pescadores. Meu colega Morgado indicou um pessoal de Piracicaba, mais 9 pescadores, e assim fizemos algumas reuniões para conhecer o pessoal e tratar de outros detalhes que porventura viessem a existir. Tudo ok, turma montada, então começamos a efetuar os pagamentos mensais até a data marcada para pescaria Nov./2005. Como num piscar de olhos se foi o período de Abril a Novembro, passou muito rápido e quando demos por nós já estávamos realizando nosso sonho.

Embarcamos em um avião em Campinas, no aeroporto de Viracopos, com destino Manaus, mas com conexão em Brasília, com chegada prevista às 22:30hs, horário local, e vôo marcado para Barcelos às 6:30hs.

Nesse tempo de espera no aeroporto de Manaus, Moisés e Toninho (integrantes do Grupo) mostraram todos os seus dotes artísticos, tocando violão e cantando modas sertanejas.
Passamos a madrugada toda em uma choperia, dentro do aeroporto, regados com bom chopp e ótima música.



 

Era então chegada a hora esperada, quando íamos voar para Barcelos e em seguida ingressar no Barco-hotel, sendo que nesse mesmo dia iríamos começar a subir o Rio Negro, e após o almoço iniciar nossa sonhada pescaria.
Resolvemos subir um dos afluentes do Rio Negro, o Rio Cuini, pois o Rio Negro, após um período de chuvas, tinha sujado um pouco suas águas e isso prejudicaria a pesca, principalmente a do Tucunaré.




Chegamos ao Barco, arrumamos nossas malas em nossos quartos e preparamos todas as tralhas para a pesca. Após um leve almoço partimos para os primeiros pinchos, com o coração a mil. Arremessávamos em busca não só dos peixes, mas da realização de uma vida. Como estávamos em um dos lugares mais preservados do Brasil, foi inevitável que logo nos primeiros arremessos já tivemos várias ações e capturas de belos exemplares de Tucunaré-Paca e Tucunaré-Borboleta. Nesse primeiro dia, como estávamos todos exaustos pela cansativa viagem, não paramos para pescar os “gigantes” peixes de couro. Cansados, logo ao cair da noite fomos para o barco nos recompor e nos preparar para as pescarias dos dias seguintes.
O barco navegou durante a noite, subindo o rio. Acordamos todos ansiosos às 5:00hs para saber em que ponto estávamos. Após um rápido café da manhã partimos em busca dos bocudos, eu e meu parceiro Pedro Grotta.
Começamos a pescaria, e logo nos primeiros pontos boas ações e capturas. O interessante foi que o Pedro estava com iscas artificiais de superfície fazendo um trabalho mais lento, enquanto eu estava trabalhando as iscas, também de superfície, mais rápido, para sentir como os peixes estavam reagindo naquele dia. Dessa forma, meu parceiro capturou em torno de sete Tucunarés em pouco tempo e teve várias investidas de outros que não fisgaram, enquanto eu não havia tido nenhuma ação no trabalho rápido. Foi quando mudei o recolhimento de rápido para lento, e o resultado apareceu, capturamos inúmeros Tucunarés de bons portes entre 1 a 4 Kgs.


A dica importante desse dia, é que: “Na pesca com iscas artificiais, seja de superfície, fundo ou meia-água, o importante é você estar sempre mudando, experimentando recolhimentos lentos, rápidos, toques de ponta de vara mais longos ou curtos, sempre variados, até achar o trabalho ideal, ou seja, encontrar o trabalho pelo quais os peixes estão se sentindo mais atraídos”.
O dia prosseguiu com vários Tucunarés capturados e lindas cenas de explosão na superfície, o que faz que o pescador esportivo fique alucinado.
Chega a tarde, e com ela a vontade de engatar os peixes de couro como a Pirarara, Filhotes, Jaús, etc. ... Iscas pegas, paramos no primeiro poço escolhido por nosso guia, ele colocou o barco estrategicamente em uma galhada e pinchamos as nossas iscas e nossas esperanças. Não deu nem tempo de pensar, e em menos de três minutos o alarme da carretilha denunciou “peixe na linha”, deixei levar um pouco mais e a fisgada foi certeira, o peixe começou a levar toda a linha da carretilha, o guia tentou fazer o motor funcionar para levarmos o peixe para o meio do rio, pois a Pirarara depois de fisgada procura enrosco, o que é quase inevitável, mas para a minha sorte ou azar, não sei, o motor não pegava, e eu continuava aquela briga fantástica com o meu oponente, adrenalina pura, conseguia recolher um pouco de linha e o peixe tomava tudo de novo, cerca de uns 10 minutos de briga, o motor funcionou e o guia levou o barco até o meio do rio, mas a briga ainda era intensa e o bichão não se entregava, continuamos a duelar, até que após 20 minutos, o bruto se rendeu, puxamos o peixe para uma pequena praia, e para o meu delírio era uma Pirarara com mais de 35 kg, todos do barco ficaram abismados com o tamanho do bicho.




Voltamos ao ponto para tentar a sorte outra vez e tivemos outras puxadas, mas todas sem êxito, pois as piranhas estavam terríveis e cortavam as nossas linhas. A noite chegou e decidimos então voltar para o Barco, com intuito de encontrar o pessoal, tomar aquela geladinha e ouvir como foi o dia de pesca de todos.
3º dia – Mudamos de parceiros, nesse dia fui pescar com meu grande amigo Cássio Baptistella. Saímos logo cedo, e como já era esperado, muitas ações, os Tucunarés estavam vorazes e atacando tudo que passasse pela frente, ótimas cenas com as iscas de superfície, principalmente as Zaras, explosões de deixar qualquer pescador passando mal.




Final de tarde, também investimos na pescaria dos peixes de couro e tivemos várias ações, capturando duas Pirararas incríveis.
No dia seguinte saí para pescar com meu SOGRÃO, meu pai torto, o que foi uma das grandes satisfações dessa viagem, qual seja, poder pescar na região amazônica e ao lado de pessoas tão queridas. Partimos em direção a uma lagoa, e para entrarmos tivemos que navegar por um canal estreito, passar debaixo de árvores caídas e inúmeros outros obstáculos, demoramos mais ou menos uns 30 minutos para percorrer um trajeto que não tinha mais de 600 m (marcado pelo GPS).

Mas foi compensador, pois quando chegamos nos deslumbramos com uma lagoa lindíssima, intocável, e que naquele momento era só nossa. Não consegui me segurar e já comecei a arremessar, mas os primeiros



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